Rua de Mão Única

"Para os grandes, as obras acabadas têm peso mais leve que aqueles fragmentos nos quais o trabalho se estira através de sua vida" - Walter Benjamin

sexta-feira, abril 28, 2006

 
Sem título, autor desconhecido

Cadáver adiado
Para F.P

Vale quanto pesa, foi o que ele me disse quando terminou a avaliação. Seus olhos míopes, protegidos pelas grossas lentes dos óculos, pareciam impedir-lhe de ver para além da balança. Irredutível em seu julgamento, a sobrancelha sequer dignou-se a criar um ponto de interrogação quando, mostrando-lhe a qualidade da mercadoria, procurei barganhar o valor. Contudo, por mais que eu desenrolasse o novelo, jogando-lhe na cara todo um arsenal de competências, nenhuma sombra de entendimento brotou em sua face. Inconformado, assim mesmo, assinei o contrato de penhora, peguei o dinheiro e, já na rua, caminhei a passos tétricos em direção ao centro do furacão, oco como um caniço, embora os anos gastos em investimento pessoal - essa força que faz com que fiquemos presos ao chão - pesassem no bolso feito moléculas de nitrogênio.

(do livro "Perambulando pelo caos" - série - urbanidades # 28)

Comments:
É meu caro, o gado vale quanto pesa, e morto vale mais que de pé!
Beijos!
 
Tudo na medida certa...a balança da vida é exata.

Adorei mais esse belo texto!!!

Volto sempre..
bjs
 
Pesa também ,sobre nossos ombros e sobre nossa existência, o que somos e isto carregamos por uma eternidade. A série Urbanidades é uma das mais instigates. Sucesso!

abçs
 
Passo por aqui pra me inspirar com seus textos.
 
Passando...
 
O que dizer? Gostei muito. Tive olhando os outros textos. Adorei o postado no dia 20 agora. Ótimo tb!!! Abraçu du Isac!
http://angeldumal.zip.net
 
hello there...
 
, vale o quanto pesar. valores. valorar ou valorizar? a caminho de o furacão...
|abraços meus|
 
E, há quem seja deslumbrado por ouro de tolo.
:(

Bom mesmo é transformar o nosso chumbo em vida.
 
Gostei daqui. Posso voltar?
Te espero lá tb
um abraço
 
Tentei... várias vezes, mas enfim consegui chegar aqui!
Marlene
 
Belo caminho
dessa rua...
Fugirei pra cá
quando preciso for...
:)

 
se investimento pessoal faz com que fiquemos presos ao chão, por analogia investimento no outro cria-nos asas? 1 abraço
 
há coisas...que valem...TUDO!
"todas as coisas do mundo não cabem numa idéia, mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra TUDO"
(arnaldo antunes)
um beijo
ah e...não adianta muito essa força que fazemos pra ficarmos presos ao chão..."Nem todas as respostas cabem num adulto"(A.A.)
talvez o peso das coisas esteja em nós
 
um peso
duas medidas

e assim a gente caminha.
presos ou não,
um beijo querido, no coração
 
às vezes realmente dá vontade de fazer terrorismo poético.

otima semana pra vc moço.
 
Gostei tanto do comentário da Valéria e outros mais que nem lembro bem o que ia dizer... os nossos valores podem nada valer na balança alheia...
abraços
 
A gente vive assim, barganhando cada dia de nossa vida com o tempo e com o destino...
 
Conto impactante.
http://dudve.blogspot.com/
http://cartasintimas.zip.br
 
ai ai que forte.
obrigada pelo comentário lá sempre gentil. Eu não sou poeta das boas, são sem pretensão mesmo. bj laura
 
"Cativo que sou dos seus poemas", disse você na minha página. Desculpe minha falta de originalidade, mas cativo que sou dos seus contos, eu sempre me preencho no seu canteiro, meu caro. Um grande abraço, Cláudio.
 
"Contudo, por mais que eu desenrolasse o novelo, jogando-lhe na cara todo um arsenal de competências, nenhuma sombra de entendimento brotou em sua face." Isso é quase material, tradução melhor não há... adorei! Beijos
 
Os mini contos que compõe seu blog, deixam-me sempre com gosto de curiosidade (se é que curiosidade tem gosto!?) de qual será o próximo. Excelente! Esta força estranha que nos prende ao chão, é a razão de viver.
Beijos
 
Claudio, eu não sei se vc curte ou só gosta de música erudita. Mas esse Cadáver Adiado tem um não sei quê de Sarabanda, meio que a gente espera uma continuação (uma suite)que só vai confirmar esse peso de moléculas já exposto aqui e com tamanho detalhe. Magnífico, Claudio. Simplesmente magnífico.
abçs
Ilidio
 
Caro Cláudio, andei afastado por problemas de orde técnica. Aqui estou de volta para, outra vez, gostar do que leio. Abraços e obrigado pelo comentário!
 
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